domingo, 20 de março de 2011

A Verdade?

Por David Ben Schwantes.


Estou cansado desse incômoda obsessão pela verdade

De todo mundo fingir que se importa

E que quer viver num mundo justo e reto...

Essa encenação obscena me cansa, me exaure,

Porque a verdade é que a verdade não é uma jóia que se queira comprar

E menos ainda que se queira possuir,

Não quando a imperfeição é a constante em nossas vidas,

Em nossas almas, em nossos membros mutilados

Pelas escolhas imperdoavelmente humanas que fizemos.

A verdade não é aquilo pelo que queiramos dar a vida,

Isso não é trágico e fingir que é chega a ser patético...

A verdade é bela e terrível, já disse a Poetisa das Trevas,

Num momento raro em que a verdade foi amada

E respeitada pelo que é e como é.

Estou cansado de ouvir esses clamores vazios pela verdade,

Todos tão veementes e tão insinceros,

Pois quem quer a Verdade a encontrará,

Se a buscar de todo o coração.

A verdade não é algo que se possa dar,

A verdade não é nada que possa ser descrito,

A verdade falsamente anelada por tantos é um mito,

Como Shangri-lá, El Dorado, Che Guevara...

A verdade tem tentáculos opressivos,

Minuciosos demais para nossa triste humanidade,

Para nós que, no fundo, queremos tão menos que a verdade;

Nós que não queremos chorar por grandes causas,

Nem receber flores honradas em túmulos célebres;

Nós que queremos viver vidas longas,

Dormindo em camas confortáveis e comendo o bom pão.

A verdade é um vago desejo na experiência humana,

Sobre o qual se escreve mentirosamente,

O qual se deseja por força de cultura,

Mas do qual a alma se esquiva por força da própria natureza.

Alguém perguntará antes de uma decisão histórica:

‘O que é a Verdade?’ – E em seguida fugirá da resposta,

Por ser fiel ao próprio instinto, à vontade decadente,

Que é naturalmente imiga da verdade.

Só há, portanto, uma verdade a buscar...

Uma única verdade a se aceitar a revelia do que queiramos:

Do coração traído por um beijo falso, do abandono na hora da dor,

A verdade do sangue vertido e da humilhante coroação,

Da missão de altíssimo custo que Alguém aceitou

Do amor que na entrega total e irreservada se consumou,

Mas esta verdade... Oh, miséria! Poucos hão-na de querer.


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Um comentário:

Claudia Helena Diolli disse...

Essa verdade que nos constrange: o amor de Deus por nós...