A Verdade?
Por David Ben Schwantes.
Estou cansado desse incômoda obsessão pela verdade
De todo mundo fingir que se importa
E que quer viver num mundo justo e reto...
Essa encenação obscena me cansa, me exaure,
Porque a verdade é que a verdade não é uma jóia que se queira comprar
E menos ainda que se queira possuir,
Não quando a imperfeição é a constante em nossas vidas,
Em nossas almas, em nossos membros mutilados
Pelas escolhas imperdoavelmente humanas que fizemos.
A verdade não é aquilo pelo que queiramos dar a vida,
Isso não é trágico e fingir que é chega a ser patético...
A verdade é bela e terrível, já disse a Poetisa das Trevas,
Num momento raro em que a verdade foi amada
E respeitada pelo que é e como é.
Estou cansado de ouvir esses clamores vazios pela verdade,
Todos tão veementes e tão insinceros,
Pois quem quer a Verdade a encontrará,
Se a buscar de todo o coração.
A verdade não é algo que se possa dar,
A verdade não é nada que possa ser descrito,
A verdade falsamente anelada por tantos é um mito,
Como Shangri-lá, El Dorado, Che Guevara...
A verdade tem tentáculos opressivos,
Minuciosos demais para nossa triste humanidade,
Para nós que, no fundo, queremos tão menos que a verdade;
Nós que não queremos chorar por grandes causas,
Nem receber flores honradas em túmulos célebres;
Nós que queremos viver vidas longas,
Dormindo em camas confortáveis e comendo o bom pão.
A verdade é um vago desejo na experiência humana,
Sobre o qual se escreve mentirosamente,
O qual se deseja por força de cultura,
Mas do qual a alma se esquiva por força da própria natureza.
Alguém perguntará antes de uma decisão histórica:
‘O que é a Verdade?’ – E em seguida fugirá da resposta,
Por ser fiel ao próprio instinto, à vontade decadente,
Que é naturalmente imiga da verdade.
Só há, portanto, uma verdade a buscar...
Uma única verdade a se aceitar a revelia do que queiramos:
Do coração traído por um beijo falso, do abandono na hora da dor,
A verdade do sangue vertido e da humilhante coroação,
Da missão de altíssimo custo que Alguém aceitou
Do amor que na entrega total e irreservada se consumou,
Mas esta verdade... Oh, miséria! Poucos hão-na de querer.
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Um comentário:
Essa verdade que nos constrange: o amor de Deus por nós...
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